Antes, durante e depois

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(Warley, Danilo,Miriane, Igor, Rúbia, eu, Christian NOSSO ÚLTIMO TIG – foto: Paula Alves

Wilson Albino Pereira

“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem, de repente, aprende”. Assim falou João Guimarães Rosa, pelos lábios de Riobaldo, no clássico Grande Sertão: Veredas. Às vezes, por ignorar esse dizer, alguns alunos, no momento da apresentação do TIG, o Trabalho Interdisciplinar de Graduação, preferem olhar para o próprio sapato, ou para o telhado, ou para qualquer outro lugar. A ideia é fugir do olhar avaliador. Enfileirados, silenciosos e apreensivos, testa a testa com os professores, dez minutos parecem uma eternidade.

Antes de iniciar as apresentações no Circuito Acadêmico, o palavrório da gente reunida ali era capaz de inundar meio mundo. Os ocupantes da Cidade do conhecimento, apesar da tensão, celebraram o saber.

Cada grupo é diferente na composição, e, principalmente, na escolha dos temas. Idênticos? Só medos, incertezas e sonhos. Naquele vasto e fértil campo das experiências, não há conceito visto em sala de aula que não possa ser aplicado.

Por exemplo, qualquer gesto, mesmo o mais sútil, para ser interpretado, recebe “o luxuoso auxílio” da Semiótica. Uma lágrima rebelde, fujona e quente pode significar alegria por causa do êxito, fruto do esforço coletivo, ou pode, também, significar tristeza porque o grupo sabe que a “coisa” não foi sensacional.

Afora isso, o choro pode significar ódio dos equipamentos que funcionaram perfeitamente nos quinze minutos anteriores, porém, simplesmente, entraram em pane. Nesse rol de desacertos, quem ocupa o topo da lista são as caixas de silêncio, e não de som, já que emudecem como num passe de mágica.

Também entram nesse time fabricador de prantos, computadores, pen drives e CDs, que, sem mais nem menos, resolvem “pirraçar”: travam e fazem até os mais incrédulos acreditarem nas mil vezes malditas leis de Murph. Aí o choro é convulso.

Ah, e se alguém faz aquela pergunta – “O que mais falta dar errado?” – como nem tudo é “tão ruim que não possa piorar”, um transformador “estourado”  basta para tornar luz em trevas. Aí, a choradeira é grupal.

Transpostas as barreiras, os temores se transformam em recordações que, quando evocadas, provocam os risos. O resto, a festança cuida de converter em doce aquele gosto salgado que as lágrimas, rebeldes, fujonas e quentes, insistem em deixar no paladar das gentes.

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