Lágrimas Itálicas

Wilson Albino Pereira

Certa vez, vi um estrangeiro perdido em BH. Ele era italiano.  os olhos úmidos pediam ajuda. Percebi seu medo…  Perguntei-me: será mesmo que no princípio o mundo inteiro falava a mesma língua, com as mesmas palavras? E, se falava, erros eram evitados? Conflitos mediados? Vidas poupadas? impossível saber… Prefiro crer ao menos que a língua era ponte ao invés de barreira.

O italiano assustado me fez pensar em alguns de seus compatriotas ancestrais.  Estes sim vivenciaram um drama na capital das alterosas. Foram atraídos por viagem gratuita e ajuda de custo. Vinham iludidos, e, acabavam arrebanhados no Curral del-Rei. Que pena! Muitos acabaram traídos por seus próprios sonhos.

Os recém-chegados ficavam desconfortáveis em “hospedarias de emigrantes”.  A condição ruim piorou muito. A crise financeira impediu o governo de apoiar estrangeiros. Findadas as obras na cidade jardim, os italianos possuidores de capital iniciaram negócios. Quem era pobre partiu rumo às áreas rurais, ou foram residir em aglomerados.

Até tentei. Entretanto, não consegui imaginar o que poderia ser pior: Deixar a terra natal sem esperança de regressar um dia, ou abandonar-se em solo estrangeiro, e, trava diariamente a batalha das línguas, como se o mundo fosse uma  interminável torre de babel.

P.S:. Tardou quase nada até que,Liberdade_em_equilíbrio_-_monumento_construído_por_Mary_Vieira_(1)[1] o italiano perdido fosse encontrado.

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