O “cale-se” de cada alma

E pensar que tudo começou por causa de uma reprimenda policial a uma moça que vestira roupa curta lá no ano de 2011, em Toronto, no Canadá… Daí por diante, o movimento ganhou força e fama. “A marcha das vadias” alastrou-se pelo planeta. No Brasil, desde 2012, ao menos 20 capitais já promoveram o evento, que, em todas as ocasiões, superou a expectativa de público. Durante a manifestação, praças e ruas são preenchidas por “um mar de gente”. Reunido, o povo celebra o livre-arbítrio. Empoeiradas e adormecidas, a liberdade, a igualdade e a fraternidade são polidas e têm suas chamas avivadas.

A toda hora, trocam-se abraços, que sintonizam frequências, fortalecem correntes e sincronizam pensamentos. O que reina ali é o humanismo. Algumas manifestantes trajam apenas shorts. A ausência quase completa de roupas expõe, também, frases que as moças, em sinal de sororidade, escrevem umas nos corpos das outras. As palavras grafadas com batom vermelho atraem os olhares porque fazem transparecer algo ainda mais íntimo que a nudez: as expressões revelam o “cale-se” de cada alma.

Livres, organizadas e decididas, as mulheres atraem simpatizantes. E, para protestar contra as barbáries como feminicídios e estupros, integrantes do grupo LGBT apoiam e reforçam a passeata. De maneira cadenciada e ordeira, “A marcha das vadias” segue, e, por caminhos vários, semeia a esperança, a fim de colher frutos menos amargos e preconceituosos em futuros não tão distantes.

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