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Estígma

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Foto: Wilson Albino Pereira

Por: Wilson Albino Pereira

Diariamente, ele rasga o solo e no pó deposita inférteis sementes. Tão mortas que se mil vezes plantadas, mil vezes não germinam. Acha natural que em certas noites, uns maus sonhos lhe torturem o juízo. Afinal, tem na cabeça uma coletânea de lavouras vãs.

De segunda a sábado, ainda que chova sem trégua ou pareça o sol ainda mais ardente que o habitual, o especialista no cultivo de sementes nulas, oferece de si o máximo, mesmo sabendo que receberá os mínimos: salário e reconhecimento. É consciente de que, para ser agricultor carece de ter conhecimento e coragem, mas antes de tudo, vocação.

Sempre afirma que só vai haver justiça no mundo quando as leis e a morte forem similares. Na hora do vamos ver, o certo seria ignorar cor, credo, sexo, religião ou posição social. Era para ser assim: simples como pingar um “i” ou cortar um “t” e pronto.

Em sua profissão, as materializações do preconceito ocorrem por meio de um olhar enviesado, ou um silêncio capaz de machucar os ouvidos, ou mesmo a ausência total de gestos . Um sem número de vezes, na intenção de cumprimentar a outrem, sua mão ficou estendida, no “vácuo”. Parece que pratica o pior dos crimes quando se apresenta: Prazer, sou Cláudio, o coveiro.

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